Diferenças entre o óleo de peixe e o óleo de krill

Diferenças entre o óleo de peixe e o óleo de krill
04/09/2018

ÔMEGAS (OPCIONAL)

Os ácidos graxos poli-insaturados (AGPIs) abrangem as famílias de ácidos graxos ômega-3 (ω-3) e ômega-6 (ω-6).

Para suprir a demanda do organismo, eles devem ser ingeridos em quantidades suficientes e de forma balanceada. Por exemplo, o ácido araquidônico (ω-6), encontrado em carnes, tem grande importância nos primeiros meses de vida, além de ser constituinte de estruturas celulares e precursor de mediadores inflamatórios. Já os AGPIs da família ômega-3 auxiliam na manutenção de membranas celulares, na melhora do perfil lipídico, na proteção cerebral e osteoarticular, na estimulação da memória e da cognição, além de favorecer o desenvolvimento do cérebro e da retina.

A família ômega-3 é composta por alguns tipos de ácidos graxos, dentre eles o ácido alfalinolênico (ALA), encontrado principalmente em vegetais, óleos e castanhas, e os ácidos eicosapentaenoico (EPA) e docosa-hexaenoico (DHA), encontrados em fontes marinhas (MARTIN, 2006).

O ALA é a principal forma de ômega-3, consumido por meio da alimentação. Seus benefícios estão relacionados à capacidade de ser convertido pelo organismo em EPA e DHA. No entanto, as taxas de conversão são baixas e variam de pessoa para pessoa. As formas mais comuns de obter EPA e DHA são a ingestão de peixes ou a suplementação, que garante de forma mais segura o aporte da quantidade adequada (SWANSON, 2012).

A alimentação ocidental propicia a ingestão insuficiente de EPA e DHA e elevada de ácidos graxos da família ômega-6, o que provoca a formação de substâncias pró-inflamatórias. Nas últimas décadas, tem-se verificado em diversos países que a ingestão média de ácidos graxos tem resultado em relações ω-6/ω-3 que variam de 10:1 a 20:1, com registros de até 50:1.

A necessidade de reduzir a razão ω-6/ω-3 nas dietas modernas também tem sido sugerida, devido aos resultados de alguns estudos clínicos realizados, que evidenciaram diminuição dos níveis de triglicérides (TG), aumento dos de lipoproteína de alta densidade (HDL) e redução nas inflamações decorrentes da artrite reumatoide (AR) quando a razão ω-6/ω-3 na dieta foi de 4:1 (MARTIN, 2006).

 

KRILL

O suplemento mais comum de EPA e DHA é o óleo de peixe, porém nele o EPA e DHA estão ligados a triglicerídeos, o que os torna menos solúveis e pode gerar odor residual de peixe, além de ser menos absorvidos pelo organismo, fazendo com que seja necessária a ingestão de maiores quantidades. Existe também a preocupação sobre o uso de peixes de maneira criteriosa, uma vez que existem riscos de contaminação por metais pesados, bem como a possibilidade de os animais criados em cativeiro apresentarem baixo teor de DHA (ABRAN, 2014; GREENBERG, 2008).

A preferência de consumo deve ser por animais provenientes de ambiente marinho e que se encontrem na base da cadeia alimentar, pois apresentam menores riscos de contaminação por mercúrio (COLLETA, 2010). Um ótimo exemplo é o krill, crustáceo semelhante ao camarão que habita águas muito frias, especialmente em torno da Antártida, alimenta-se de algas microscópicas e é fonte de AGPIs da família ômega-3.

Para a suplementação de ômega-3, a grande novidade é o óleo de krill, que, além de ser fonte rica de EPA e DHA, traz esses ácidos graxos associados a fosfolípides, e não a triglicerídeos, diferentemente do óleo obtido de outras fontes marinhas. Tal característica faz com que o EPA e o DHA contidos no óleo de krill sejam absorvidos e incorporados aos tecidos de forma mais eficiente. Além disso, os fosfolípides permitem melhor solubilização do óleo de krill no suco gástrico, o que reduz o potencial de refluxo e o odor residual de peixe.

Portanto, é necessário ingerir menor quantidade de EPA e DHA quando provenientes do óleo de krill, que, além dos benefícios oferecidos à saúde, apresenta melhor tolerabilidade, em comparação ao óleo de peixe (MAKI, 2009; ULVEN, 2011).

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