A absorção de metais pesados no consumo de ômega-3

A absorção de metais pesados no consumo de ômega-3
30/11/2018

A família ômega-3 é constituída por ácidos graxos poli-insaturados essenciais que trazem inúmeros benefícios para nosso corpo. Como nosso organismo não é capaz de produzi-los, esses nutrientes devem ser obtidos por meio da alimentação e/ou da suplementação. As fontes mais comuns de ácidos graxos da família ômega-3 são os animais marinhos, principalmente os peixes. Porém, existe a preocupação de que eles possam estar contaminados com metais pesados, como o mercúrio.

Os peixes podem absorver tanto os metais essenciais como os não essenciais, a partir da água e mediante a ingestão de alimento, retendo-os em seu tecido muscular e em seus órgãos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) no 42, de 29 de agosto de 2013, os limites máximos aceitos de contaminação de peixes por mercúrio são de 0,5 mg/kg para pescado não predador e de 1,0 mg/kg para pescado predador.

No corpo humano, o metal é capaz de prejudicar os rins, o fígado e o sistema nervoso central. Entre os sinais e sintomas mais comuns desse tipo de contaminação observam-se a redução da visão periférica, a perda de coordenação motora, as dificuldades na fala e na audição, as perturbações sensoriais e a fraqueza muscular.

A quantidade de mercúrio acumulada pelo homem a partir da ingestão de peixe varia em função da quantidade consumida e do tipo de peixe ingerido. Peixes predadores tendem a apresentar maiores concentrações de mercúrio. É preferível consumir ômega-3 proveniente de fontes animais marinhas – como o krill, que está na base da cadeia alimentar –, já que oferecem menores riscos de contaminação por mercúrio.

O óleo de krill é uma fonte rica em ácidos graxos da família ômega-3 e, diferentemente da maior parte das fontes marinhas, apresenta esses ácidos graxos associados a fosfolípides. Tal característica faz com que os ácidos graxos sejam absorvidos e incorporados aos tecidos de forma mais eficiente. Portanto, para a obtenção dos benefícios à saúde, é necessária a ingestão de menores quantidades de ômega-3 de óleo de krill, em comparação com o óleo de peixe (Maki et al., 2009; Ulven et al., 2011).

 

Referências bibliográficas

  1. Ministério da Saúde [homepage na internet]. Vigilância em saúde. Efeitos à saúde humana. Brasília, DF: Ministério da Saúde; [data desconhecida]. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-ambiental/vigipeq/contaminantes-quimicos/mercurio/efeitos-a-saude-humana. Acesso em: 10 nov. 2018.
  2. Maki KC, Reeves MS, Farmer M, et al. Krill oil supplementation increases plasma concentrations of eicosapentaenoic and docosahexaenoic acids in overweight and obese men and women. Nutr Res. 2009 Sep;29(9):609-15.
  3. Ulven SM, Kirkhus B, Lamglait A, et al. Metabolic effects of krill oil are essentially similar to those of fish oil but at lower dose of EPA and DHA, in healthy volunteers. Lipids. 2011 Jan;46(1):37-46.
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